Primeiro-ministro chinês expõe objetivos do país: crescimento econômico moderado, auge dos gastos militares

Seu discurso enfatizou o crescimento estável, a necessidade de combater o desemprego e o fortalecimento do exército

Por Annie Wu, Epoch Times

Com o início das reuniões do Congresso Nacional Popular, principal órgão legislativo da China, o primeiro-ministro Li Keqiang apresentou um “relatório de trabalho” anual em 5 de março, destacando os objetivos econômicos e militares da China.

Seu discurso na sessão de abertura do congresso enfatizou o crescimento estável, a necessidade de combater o desemprego e o fortalecimento do exército chinês. Aqui estão alguns pontos importantes do discurso de Li Keqiang:

Economia

Li Keqiang anunciou o objetivo do regime de expandir a economia chinesa em 6,5% em 2018, mesma taxa do ano passado.

A cifra permaneceu a mesma apesar da economia chinesa ter crescido 6.9% no ano passado, batendo a meta — sugerindo assim que o regime chinês quer ser cauteloso e reduzir riscos financeiros. No ano passado, li Keqiang fez um discurso no qual mencionou este número esperado, acrescentando que “no trabalho real, [vamos lutar] para obter um resultado ainda melhor.” A omissão deste detalhe durante a divulgação do relatório de trabalho de Li Keqiang este ano indica que o regime chinês não confia que possa alcançar um objetivo mais elevado.

Investidor olha preços das ações nas telas de uma empresa de corretagem em Pequim, em 22 de março de 2016 (Fred Dufour/AFP/Getty Images)
Investidor olha preços das ações nas telas de uma empresa de corretagem em Pequim, em 22 de março de 2016 (Fred Dufour/AFP/Getty Images)

Economistas previram que a economia da China perderia um pouco de sua dinâmica este ano, uma vez que o regime procura restringir a acumulação da dívida corporativa, enquanto os esforços da luta contra a poluição e o esfriamento do mercado imobiliário causaram impacto nos produtores chineses.

Militar

Também em 5 de março, o Ministério das Finanças da China divulgou um relatório na sessão inaugural do congresso, anunciando que o regime chinês planejava aumentar seus gastos militares em 8,1% este ano, aumentando seu orçamento de defesa para 1,1 bilhão de yuan (cerca de 175 bilhões de dólares). Este é o maior aumento dos últimos três anos.

O orçamento de defesa da China é o segundo maior depois dos Estados Unidos. Com 686 bilhões de dólares para o ano fiscal 2018/2019, os Estados Unidos têm o maior orçamento militar do mundo. Mas a China também supera outras nações. De acordo com um informativo recente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, a Arábia Saudita ocupa o terceiro lugar com 76,7 bilhões de dólares, seguida pela Rússia (61,2 bilhões de dólares) e Índia (52,5 bilhões de dólares).

Soldados chineses desfilam em tanques em frente à Praça Tiananmen e à Cidade Proibida durante um desfile militar em Pequim, na China, em 3 de setembro de 2015 (Kevin Frayer/Getty Images)
Soldados chineses desfilam em tanques em frente à Praça Tiananmen e à Cidade Proibida durante um desfile militar em Pequim, na China, em 3 de setembro de 2015 (Kevin Frayer/Getty Images)

Em 6 de março, em uma conferência de imprensa em Tóquio, no Japão, o comandante da Marinha dos Estados Unidos, Almirante Scott Swift, disse que o orçamento militar da China carecia de transparência, assinalando que a “intenção do país não é claramente compreendido”, disse ele. O regime chinês não forneceu uma análise do seu orçamento.

Almirante Scott Swift, comandante da Frota do Pacífico dos EUA, fala em uma conferência de imprensa perto do destroçado USS John McCain e do USS América na base naval de Changi em Cingapura, em 22 de agosto de 2017 (Calvin Wong)
Almirante Scott Swift, comandante da Frota do Pacífico dos EUA, fala em uma conferência de imprensa perto do destroçado USS John McCain e do USS América na base naval de Changi em Cingapura, em 22 de agosto de 2017 (Calvin Wong)

Os vizinhos asiáticos da China também expressaram sua preocupação. Yoshihide Suga, secretário-chefe de gabinete no Japão, disse em uma conferência de imprensa: “nós gostaríamos que a China fosse mais transparente em sua política de defesa, incluindo os gastos e o direcionamento do seu poder militar.”

Analistas dizem que as autoridades chinesas frequentemente omitem números do orçamento. Bruce Lui, professor sênior do departamento de jornalismo da Universidade Batista de Hong Kong, disse à rádio Free Asia (RFA) que algumas despesas, como as da área da pesquisa de tecnologia militar, não são consideradas como parte do orçamento de defesa, mas como despesas com “ciência e tecnologia”.

Enquanto isso, o Ministério das Finanças também revelou números do orçamento de 2018 para “despesas de segurança pública”, um eufemismo para os esforços de restringir a dissidência, desde a censura até às prisões civis. Essa cifra cresceu 5,5% em comparação com o ano anterior, para mais de 190 bilhões de yuan (30 bilhões de dólares). O professor Lui disse à RFA que a cifra real provavelmente é bem mais elevada, porque não inclui os gastos do governo local. Se estes números fossem adicionados, estima-se que equivaleriam a mais de 1 trilhão de yuan (158 bilhões de dólares).

O aumento também sugere que o regime chinês tem planos para acabar com a dissidência e com as ameaças à sua legitimidade. No mesmo informe da RFA, um peticionário chinês — cidadão que apresenta queixas às autoridades centrais em busca de justiça — afirmou que o aumento do orçamento militar significava mais prisões de peticionários. “Em Pequim, sem importar onde você esteja, [as autoridades] vão se assegurar de que você seja preso e mandado de volta”, disse o peticionário.

 
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