Peritos da polícia argentina concluíram que o promotor Alberto Nisman foi assassinado. É o que revelam trechos da nova perícia oficial que será entregue às autoridades e que vêm sendo publicados há uma semana pela imprensa do país. A nova análise foi pedida pela procuradoria com o apoio do presidente Mauricio Macri, que levantou o sigilo sobre os documentos do caso que vinha sendo tratado pelo governo Kirchner como suicídio.
A perícia da Gendarmeria Nacional Argentina (GNA) revelou que Alberto Nisman foi morto com um tiro na cabeça e que havia terceiras pessoas em seu apartamento que participaram do crime. O relatório deve ser enviado ao juiz federal Julián Ercolini até o fim do mês. A investigação busca agora descobrir o autor e o mandante do assassinato do promotor.
Segundo o jornal argentino Clarín, a reconstituição do crime envolveu a construção de uma réplica perfeita do banheiro de Puerto Madero, onde foi encontrado o corpo de Nisman, onde trabalharam 34 criminalistas e outros policiais.
Dentre as evidências periciais, estão a ausência de restos de pólvora no cadáver do promotor, já que o disparo da arma utilizada deixa rastros, o fato de esta arma haver sido encontrada ao lado do corpo à porta do banheiro, indicando que sua posição foi modificada, e o tiro mortal ter sido feito atrás perpendicularmente, por trás da orelha, e não com o cano apoiado ou perpendicular à cabeça, algo incomum em suicídios.
A análise da disposição das manchas de sangue indicaram que, quando foi alvejado, o promotor se encontrava ajoelhado e subjugado, com uma de suas mãos torcida para trás. A perícia atestou que o corpo do assassino interceptou, frente alguns objetos do banheiro, essas gotas de sangue em sua rota prevista.
O novo exame no corpo de Nisman concluiu que o promotor foi golpeado na perna esquerda e na cabeça para evitar resistência. Em seu corpo também foram encontrados restos de ketamina, usada provavelmente para dopá-lo, uma vez que não havia nenhum vestígio desta substância em sua casa.
“A quantidade de evidências que comprovam que Alberto Nisman foi executado é tão grande, que todas as perícias anteriores que comprovam o contrário só podem ter sido feitas sob encomenda para justificar uma história oficial”, disse um ex-funcionário dos serviços de inteligência argentinos ouvido pela revista Veja.
Colaboração com o Irã
Alberto Nisman foi encontrado morto no banheiro de sua residência de Buenos Aires na madrugada de 18 de janeiro de 2015, poucas horas antes da audiência no Congresso argentino em que apresentaria sua denúncia contra a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner e seu chanceler Héctor Timerman pelo crime de traição à pátria.
Ele investigava o atentado terrorista com um caminhão-bomba contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, que deixou 85 mortos e 300 feridos em 18 de julho de 1994.
Com base em milhares de horas de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, o Nisman estava convencido que a Casa Rosada havia firmado um pacto com o Irã para proteger os autores do atentado contra judeus na capital argentina.
Em menos de doze horas, as autoridades argentinas anunciaram a morte do procurador como suicídio e a própria Cristina Kirchner sustentou publicamente a tese, imediatamente descartada pelos familiares e amigos de Nisman como absurda.
Pesquisas de opinião indicaram que a maioria dos argentinos acredita que o caso tenha sido de homicídio. Os resultados de perícias independentes contratadas ainda em 2015 pela família de Nisman já revelavam assassinato. Mas, por não serem oficiais, careciam do mesmo valor da atual.
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