Capitais privados anunciam segunda era na corrida espacial

SpaceX e Blue Origin impulsionam a inovação na tecnologia de lançamento

Por Fan Yu, Epoch Times

“O espaço, a fronteira final”, assim começava a memorável sequência de episódios da série de televisão “Star Trek”.

Após décadas de estagnação e redução de fundos do governo depois da Guerra Fria, a indústria espacial dos Estados Unidos tem encontrado novas oportunidades nos últimos anos devido ao massivo financiamento privado e ao crescente interesse da administração Trump.

Na vanguarda da inovação em lançamento espacial encontra-se a SpaceX, uma empresa privada de engenharia aeroespacial e transporte espacial com sede em Hawthorne, na Califórnia, fundada por Elon Musk, uma figura moderna de Howard Hughes, que também dirige a montadora de automóveis elétricos Tesla Inc.

Em 6 de fevereiro, a SpaceX lançou com sucesso seu foguete Falcon Heavy Booster, o mais poderoso do mundo, usando a mesma plataforma espacial que as missões Apollo da NASA. O Falcon Heavy demonstrou que pode transportar mais carga útil com um custo menor do que seus concorrentes. Com a capacidade de enviar 64 toneladas de carga útil para a baixa órbita terrestre, o Falcon Heavy transporta quase três vezes a carga útil de seu concorrente mais próximo, o Delta IV Heavy, construído pela United Launch Alliance, de acordo com dados do SpaceX. Para afirmar ainda mais sua competência, os três propulsores da primeira etapa do Falcon Heavy foram projetados para serem recuperados e reutilizados.

A verdadeira mudança de paradigma é o custo. A SpaceX anunciou que os voos do Falcon Heavy custam 90 milhões de dólares por lançamento, o que representa menos de um terço dos 300 milhões a 500 milhões de dólares exigidos pela United Launch Alliance para o lançamento do Delta IV Heavy.

Falcon Heavy inaugura uma nova classe de carga útil… ele pode enviar coisas diretamente para Plutão e mais além, sem necessidade de parar.
— Elon Musk, CEO, SpaceX

O fato de a SpaceX ser capaz de apoiar esta pesquisa e tornar a tecnologia comercialmente viável — como uma empresa financiada com capital privado — não é um feito pequeno.

Nas décadas que se seguiram ao lançamento do satélite soviético Sputnik I em 1957, as primeiras inovações espaciais foram patrocinadas pelos governos dos Estados Unidos e da União Soviética. O financiamento rareou durante os anos após o fim da Guerra Fria, enquanto a indústria do voo espacial foi dominada por agências como a NASA, seus homólogos em outros países e empresas fornecedoras da indústria bélica, como Boeing e Lockheed Martin.

Mas nos últimos 10 anos, a SpaceX tornou-se um importante inovador e empresa contratada por governos e instituições privadas como plataforma de lançamento econômico para satélites; ela já lançou foguetes com sucesso para transportar satélites e abastecer a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). A empresa nasceu do desejo de Musk de enviar seres humanos a Marte e, nos últimos anos, foi pioneira na tecnologia de foguetes reutilizáveis para se tornar um líder de preços entre as empresas que fornecem o serviço de lançamento espacial.

E Musk não está sozinho. O homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, tem sua própria empresa de foguetes Blue Origin, e o empresário Richard Branson também planeja comercializar viagens espaciais.

O capital privado destes multimilionários, juntamente com o aumento do investimento de empresas aeroespaciais tradicionais como Boeing e Lockheed e países como a China e a Rússia, já deram um passo rumo a uma segunda era na corrida espacial.

Capacidades atuais dos foguetes (SpaceX)
Capacidades atuais dos foguetes (SpaceX)

Além do Falcon Heavy

Musk declarou a repórteres em Cabo Canaveral, na Flórida, que “Falcon Heavy inaugura uma nova classe de carga útil… ele pode enviar coisas diretamente para Plutão e mais além, sem necessidade de parar”, de acordo com Space.com.

Musk prevê o próximo lançamento do Falcon Heavy para os próximos três a seis meses, dependendo da rapidez com que a empresa consiga produzir a fuselagem do núcleo central. Para qualquer um que siga a outra empresa de Musk, a Tesla, isso pode parecer preocupante, especialmente porque o núcleo central do lançamento feito em 6 de fevereiro foi perdido e não pode ser recuperado.

Dois outros voos do Falcon Heavy estão planejados para 2018, um para lançar um satélite de comunicação Arabsat 6A para a Arábia Saudita, e o outro para realizar um voo de teste para a Força Aérea dos Estados Unidos.

Além do Falcon Heavy, a SpaceX planeja enviar astronautas da NASA a bordo de sua nave espacial Dragon no foguete Falcon 9. Até agora, todos os voos do Falcon 9 foram apenas de carga.

Musk anunciou no final de 2017 planos para o ambicioso Sistema de Transporte Interplanetário, denominado BFR, onde as letras “B” e “R” significam Big e Rocket, respectivamente. “Todos os nossos recursos serão destinados à construção do BFR”, disse Musk à audiência no Congresso Internacional de Astronáutica em Adelaide, na Austrália, em setembro de 2017.

O BFR é um foguete acelerador gigante com a capacidade de transportar uma grande nave espacial com centenas de pessoas, para eventualmente enviar seres humanos para a Lua ou Marte.

SpaceX Falcon Heavy decola do Centro Espacial Kennedy na Flórida em 6 de fevereiro de 2018 (Jim Watson/AFP/Getty Images)
SpaceX Falcon Heavy decola do Centro Espacial Kennedy na Flórida em 6 de fevereiro de 2018 (Jim Watson/AFP/Getty Images)

A nova corrida espacial

O espaço está se tornando rapidamente um ponto central para os governos e o setor privado.

Os analistas da Goldman Sachs escreveram em uma nota de abril de 2017 intitulada “Espaço, a próxima fronteira de investimento”: “A rápida queda nos custos está diminuindo a barreira para participar da economia espacial, tornando viáveis novas indústrias como o turismo espacial, a mineração de asteroides e a montagem em órbita, fazendo com que o negócio de serviços de satélites de comunicação cresça à medida que a exploração espacial se aprofunda”.

Os principais protagonistas da indústria espacial pertencem a três grupos: os fornecedores de serviços de lançamento, os fabricantes de satélites e os operadores. Existem também indústrias emergentes de turismo espacial, militarização espacial e mineração espacial profunda.

Os provedores de lançamento — espinha dorsal de todos os esforços espaciais — estão atraindo a maior parte dos investimentos. Este mercado é dominado pela SpaceX, United Launch Alliance (uma joint venture entre os ramos aeroespaciais da Boeing e Lockheed Martin), e o provedor de serviços de lançamento europeu Arianespace S.A. A Blue Origin de Bezos, que está desenvolvendo seus próprios veículos orbitais reutilizáveis, é um participante emergente.

No mês passado, a Blue Origin realizou com sucesso a prova derradeira de seu motor de foguete BE-4, o qual se espera que impulsione o próximo foguete “New Glenn”. O lançamento do foguete New Glenn, que tem uma carga útil ligeiramente inferior ao Falcon Heavy, está programado para 2020.

Estima-se que o mercado espacial crescerá de 339 bilhões de dólares atualmente para 2,7 trilhões de dólares em 2045, de acordo com uma pesquisa do Bank of America de 30 de outubro de 2017. O banco calcula que desde 2000 foram investidos 16 bilhões de dólares em novas empresas relacionadas ao espaço, e em 2016 foram 2,8 bilhões de dólares.

O fluxo de capital privado coincide com o plano da administração Trump para que a NASA direcione suas pesquisas para além da órbita terrestre baixa. A Lei de Autorização de Transição da NASA do presidente Donald Trump, assinada no ano passado, determina que a agência espacial se retire do financiamento da ISS para se concentrar no desenvolvimento da exploração do espaço profundo e potencialmente enviar seres humanos para a Lua.

 
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