A manifestação foi a maior desde o movimento Diretas Já!
Cerca de 300 mil manifestantes participaram ontem do protesto em São Paulo. A concentração começou por volta das 17h no Largo da Batata, próximo à Avenida Faria Lima, no bairro de Pinheiros. A insatisfação popular diante de temas como saúde, educação, corrupção e aumento de tarifas foi representada por mensagens em cartazes e por uma multidão que canta em coro o hino nacional e dizeres como “O gigante acordou”, “ Copa do Mundo eu abro mão. Quero dinheiro pra saúde e educação” e “Sem violência”.
A bandeira do Brasil utilizada como manto, rostos pintados de verde e amarelo e janelas que hasteavam panos brancos por onde o agrupamento passava foram detalhes que marcaram a manifestação popular. Entre os participantes estavam pessoas de todas as idades e perfis, com grande parcela de estudantes e famílias.
O grupo de manifestantes lotou e percorreu todos os 4,6 km da Avenida Faria Lima por mais de 4 horas sem parar até alcançar as imediações das avenidas 9 de Julho, Brigadeiro Luís Antônio e Eng. Luís Carlos Berrini. O grupo dividiu-se e parte dele seguiu para a Av. Paulista e outra parte seguiu para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, no bairro do Morumbi. A Avenida Paulista, a Ponte Estaiada e o Viaduto Santa Generosa foram totalmente interditados. O grupo que encerrou os protestos no Palácio dos Bandeirantes teve uma minoria formada por cerca de 20 manifestantes que tentaram forçar a entrada no complexo, entrando em confronto com a polícia militar, que usou bombas de gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes.
No início da manhã, a região do Largo da Batata estava cercada de entulho. Organizadores da manifestação mobilizaram-se para garantir a retirada do material que bloqueava o acesso a Avenida Faria Lima e impedia a movimentação dos manifestantes.
A reportagem do Epoch Times identificou atos de vandalismo isolados como a pichação na traseira de um ônibus, em tapumes de obras e em estátuas na extensão da Avenida Faria Lima. Apesar da manifestação ser apartidária, era possível ver poucas bandeiras de partidos como PSTU e PCO.
A lentidão do trânsito não abalou o apoio do motorista de ônibus José Aparecido. Na profissão há 18 anos, Aparecido é responsável por fazer a rota da linha 702-U, que liga o bairro Butantã até o Parque Dom Pedro, no centro da cidade. Segundo o motorista, a manifestação estava diferente das manifestações anteriores. “Hoje não vi nenhuma depredação e eu tiro o chapéu para a população. Não é à toa que estou em plena Faria Lima com ônibus parado e com as portas abertas”.
Funcionários de empresas alocadas na Faria Lima acompanhavam o movimento popular ao longo da via, entre eles o analista financeiro André Amaro, de 27 anos. Apesar de não utilizar o transporte público, Amaro apoia o levante popular. “Acho que não é apenas o valor da tarifa que tem mobilizado esse número de pessoas para as ruas. O povo está revoltado com a inflação e podemos ver que 90% dos projetos de lei têm como objetivo mudanças fúteis como alteração de nomes de parques e ruas”.
A melhoria da mobilidade urbana foi um dos motivos que impulsionaram o economista Paulo Fernandes de 22 anos a participar do protesto. “Costumo não utilizar transporte público porque o bairro onde moro é muito mal abastecido. Gasto em média 1h30 minutos para ir e voltar ao trabalho. Sem dúvida, com um transporte mais eficaz e menos inflado, poderia dispensar o carro para me locomover”.
O ciclista Victor Campos, de 21 anos, também protestou pelo avanço da mobilidade urbana. “Andar de bicicleta em São Paulo ainda continua sendo um grande risco. Uma infraestrutura com ciclofaixas e faixas compartilhadas já seriam um bom começo para melhorar o fluxo do trânsito”.
Apesar da divulgação da pesquisa DataFolha que afirmou a presença de 65 mil manifestantes em São Paulo, a quilometragem das principais vias ocupadas na manifestação de ontem – as quais estavam lotadas – comportam um número muito maior do que o divulgado pela grande mídia. A divergência na divulgação dos números de manifestantes e rotas de protestos fizeram parte dos atropelos da grande mídia brasileira na noite de ontem.
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