“Nós o estranhamos porque soa como algo que não é nosso”, afirma Dr. William Cullinan, reitor da Faculdade de Ciências da Saúde na Universidade de Marquette, em Wisconsin.
Você escuta a sua voz de modo diferente dos outros, pois as vibrações que são produzidas pelo som de suas cordas vocais são transmitidas para seus ouvidos por vibrações ósseas e outros condutores internos, e pelo ar.
Quando você escuta uma gravação de sua própria voz, não se trata da qualidade pobre do som – parece estranho, pois você a escuta do modo como os outros a escutam, ou seja, com o som sendo transmitido somente pelo ar. Aparenta ser um tom mais alto.
No que se refere à resposta psicológica que temos quando ouvimos nossas vozes, conforme a entrevista do Dr. Cullinan para a revista acadêmica, parte disto é simplesmente porque é estranho aos nossos ouvidos. Jordan Gaines, um estudante de neurociência da Faculdade de Medicina Penn State e escritor científico, explica em um artigo da NBC: “Funciona basicamente do mesmo modo quando nos olhamos no espelho, cuja imagem não é a mesma vista em fotografias”.
“Nós crescemos acostumados com nossas assimetrias refletidas no espelho – dividindo nosso cabelo para a esquerda, uma verruga em nossa bochecha direita, aquela lasca no ciso esquerdo. Quando vemos uma foto nossa, todas essas pequenas imperfeições não correspondem às expectativas de nossos cérebros, o que nos causa desgosto”.
Nós aperfeiçoamos e ajustamos nossas vozes de acordo com o que ouvimos em nossas cabeças, do mesmo modo que arrumamos nossos cabelos em frente ao espelho baseando-se em nosso reflexo.
Embora possamos não gostar do som de nossas próprias vozes, podemos gostar mais do que as outras pessoas.
Um estudo da Universidade de Albright publicado no ano passado, demonstrou que, ao escutar a gravação da voz de uma pessoa, a própria pessoa (que fez a gravação) tinha uma avaliação mais elevada de sua própria voz em comparação às avaliações das outras pessoas; ela era mais propensa a descrever sua voz como interessante ou atraente.
“As pessoas geralmente tendem a ter um senso elevado sobre si mesmas” afirma Susan Hughes, professora associada de psicologia em entrevista à Science Daily. “Muitas vezes as pessoas pensam que possuem qualidades mais atrativas do que geralmente possuem. Isso é, às vezes, utilizado como mecanismo para melhorar e construir autoestima ou lutar contra depressão”.