Como resumir 2014 e o que esperar de 2015

06/01/2015 11:14 Atualizado: 06/01/2015 11:14

Se incumbissem a mim a tarefa de resumir o ano que passou, eu diria apenas: 2014, o ano da mentira. Mentira em todas as formas, em todos os níveis, em todas as escalas. Mentiras individuais. Mentiras coletivas. Mentiras conscientes e inconscientes. Mentiras que nas últimas semanas foram confessadas e esclarecidas, constrangendo muitos eleitores do PT e atiçando ainda mais a indignação da metade não corrompida da sociedade brasileira.

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A estagnação econômica, a destruição da Petrobras, Dilma adotando as medidas que afirmava (condenando) que Aécio Neves adotaria caso fosse eleito… Nunca, na história desse país, a mentira foi tão bem sucedida. Não podemos nos esquecer também do bordão “Bolsonaro Estuprador!”, certamente uma das mais nauseantes tentativas de desviar o foco dos absurdos desse governo.

Continuo sendo muito otimista quanto à minha vida particular, mas, em relação ao Brasil, não consigo enxergar nada que valha um suspiro. O Brasil continuará sendo governado pela mentira petista sustentada pela cretinice de militância socialista. Críticas aos absurdos do governo continuarão sendo taxadas de manifestações fascistas. Ações da Justiça contra o PT continuarão sendo chamadas de manobras golpistas. Toda a corrupção continuará sendo minimizada e até justificada pelo exército de periquitos vermelhos empoleirados em todos os galhos do país.

Em relação ao mundo, a retomada do crescimento econômico na maioria dos países desenvolvidos e os constantes avanços tecnológicos que beneficiam bilhões de pessoas não minimizam a realidade de que muitas sociedades ainda estão sob regimes totalitários. Quem se importa com o massacre cotidiano que os comunistas impõem aos norte-coreanos? Poucos. A ditadura norte-coreana só existe porque outros países a sustentam econômica e politicamente. E o que dizer das ditaduras africanas? É mais provável que parem a Av. Paulista para protestar contra a morte de um negro pela polícia norte-americana do que pela morte de milhares de pessoas vítimas da violência de governos africanos. O Brasil continuará sendo o país onde os movimentos negros, feministas e LGBT selecionam seus protegidos e seus vilões em função do proveito político que podem obter. Os absurdos cometidos pelo Estado continuarão sendo julgados em função de conveniências ideológicas. Os entusiastas da Comissão da Verdade brasileira são indiferentes aos milhares de cidadãos presos, torturados e mortos pelo regime cubano; e pouco se importam com a perseguição política de hoje, agora, na Venezuela.

Por aqui, o desmoronamento da Argentina e da Venezuela não ocupa mais do que uma ou outra nota nos jornais. Poucas semanas atrás ainda tivemos a comemoração do reatamento diplomático entre Estados Unidos e Cuba. Quem se lembra que Cuba continua sendo uma ditadura? Quem se lembra que o embargo econômico que o regime castrista impõe ao povo cubano continua? Quem se lembra da perseguição que o governo cubano promove contra todos que ousam criticá-lo? Poucos, o que me faz acreditar que a maioria das pessoas enxerga que Cuba é governada por uma “ditadura do bem”.

A verdade: O reatamento diplomático e uma provável “abertura econômica” não beneficiará o cidadão cubano comum. Cada dólar a mais que venha a entrar em Cuba tornará a ditadura mais forte. Raul Castro tentará transformar Cuba numa China caribenha, mas com certeza não oferecerá aos cubanos a liberdade individual e econômica que lhes daria condições de depor o atual governo e punir os responsáveis por essas décadas de totalitarismo.

Lembrando-se da época da queda do muro de Berlin, a cubana Yoani Sánchez escreveu em seu blog: “Os berlinenses acordavam com o barulho dos martelos e os cubanos descobriam que o futuro prometido era pura mentira. Enquanto a Europa do Leste se safava do longo abraço do Kremlin, Fidel Castro elevava seus gritos na tribuna e prometia em nome de todos que jamais iríamos claudicar. Poucos tiveram a lucidez de se dar conta de que aquele delírio político nos condenaria aos anos mais difíceis já enfrentados por várias gerações de cubanos. O muro caía lá longe, enquanto outra barricada se levantava ao nosso redor, a da cegueira ideológica, da irresponsabilidade e do voluntarismo”. Yoani se esqueceu de dizer… “Tudo isso sustentado pela covarde e até criminosa diplomacia internacional”.

Por aqui, Dilma afrouxa seu discurso socialista na tentativa de salvar a economia do estrago que ela e seu partido promoveram. Depois de 12 anos de espoliação, não há mais o que roubar. Dilma adotou e adotará medidas liberais apenas para captar recursos para sustentar a máquina ideológica, mas não por amadurecimento ou responsabilidade política. O objetivo continua fazer a sociedade trabalhar para o PT. A estrutura política continua a mesma. Os privilégios dos funcionários de alto escalão e dos partidos aliados continuam os mesmos. Salários e benefícios foram aumentados sem qualquer pudor. A escolha dos 39 novos ministros foi mais uma grande negociata. O Congresso continua na folha de pagamento do PT e o Palácio do Planalto continua tendo dez vezes mais funcionários do que a Casa Branca. O governo continuará enchendo os bolsos de todos aqueles que o defendem. O PT se esforçará ainda mais para calar a imprensa e a Justiça independentes. Lula e seus companheiros continuarão com liberdade para falarem e fazerem o que bem entendem.

Em Cuba, Raul Castro tenta uma solução econômica sem colocar em risco o regime que privilegia seus companheiros e a si mesmo. Ciente de que logo perderá a ajuda da Rússia e da Venezuela, ele sabe que precisará alimentar sua perversão ideológica de outra maneira.

É verdade também que o reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba decepcionou boa parte da burguesia socialista. Foi quebrada a “magia” que envolvia a historinha do regime cubano – um projeto socialista sabotado pelo maquiavélico vizinho capitalista. A burguesia socialista teme que Cuba se transforme numa Flórida, o que destruiria a maior beleza da ilha caribenha, sua pobreza subserviente.

Enquanto digito essas palavras − mesmo faltando algumas horas para a virada do ano −, ouço rojões… O povo está feliz! O povo está cheio de esperança! Em Cuba, rojões estatais também devem estar explodindo, mas também por causa de mais um aniversário da revolução comunista. A realidade de cinco décadas de ditadura em Cuba e dos 12 anos de corrosão econômica e institucional no Brasil serão substituídos por muita música, por muita festa, por muita esperança… O que seria do socialismo sem a esperança dos pobres, sem a corrupção dos artistas e sem o dinheiro dos outros? Nada!

Mas, disso tudo, existe um lado ótimo: A cada ano ficam mais evidentes as razões para que indivíduos construam suas vidas por si mesmos, cientes de que quanto mais confiamos no Estado, mais aproximamos nossos pulsos de suas algemas.